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domingo, janeiro 29, 2006 

Qual dilema?

Muito estranho o dilema de Manuel Alegre e de alguns dos seus apoiantes sobre "o que fazer ao milhão de votos".
O milhão de cidadãos que votou no cidadão Manuel Alegre, fê-lo, tal qual os restantes milhões que votaram nos restantes candidatos, pelas mais diversas razões e no pleno uso dos seus direitos de cidadania.
A especificidade dos movimentos de cidadania são o de romper a lógica do jogo partidário e unir pessoas de diferentes quadrantes políticos em torno de objectivos concretos.
Tentar eleger Alegre como Presidente poderá ter sido um desses casos.
Para lá da sua trajectória política, ligada em grande parte ao Partido Socialista, não se vislumbra qualquer especificidade no programa da sua candidatura, nenhum traço de união positivo que distinga o tal milhão dos restantes em matéria de cidadania, que não uma cruzinha num determinado quadradinho num determinado dia, nada que permita a alguém no seu perfeito juizo afirmar que decorridas as eleições se trata de um "movimento" que esteja "em marcha" numa qualquer direcção.
Persistir com "dilemas" pode dar algum afago ao ego pelo tempo de antena conseguido a curto prazo mas acabará inevitavelmente por descambar em mais um espectáculo patético nada benéfico para a democracia e para a própria cidadania.
Uma coisa é positiva, saber-se que Alegre está disponível para encabeçar ou associar-se a cidadãos, estes que votaram nele agora, ou outros porventura, em determinados movimentos concretos, autónomos relativamente aos condicionalismos impostos pela lógica de disputa pelo poder pelos partidos.
Outra coisa é ele seguir os seus apoiantes mais entusiásticos e ter a tentação absurda de aparecer como o paladino dos "movimentos de cidadãos".