Quarta-feira, Janeiro 06, 2010 

Democracia telefonada

Lara Santos introduziu esta noite um debate na TVI24 sobre o Referendo ao Casamento de Pessoas do Mesmo Sexo, referindo-se ao inquérito telefónico que decorria naquela estação de televisão em que  cerca de 75% das chamadas se tinham manifestado a favor da realização do referendo:
"Não é um estudo científico mas é uma manifestação clara do povo português"...
É esta a percepção de uma jornalista de televisão sobre o carácter de um inquérito telefónico.

Segunda-feira, Janeiro 04, 2010 

Entremeada de escalpes

Não quiz entrar em 2010 sem ver o filme de 2009 que toda a crítica profissional e amadora classificou como "de génio": Inglorious Basterds do Quentin Tarantino.
Eu sei que as minhas credenciais cinéfilas são zero, mas sofri uma profunda decepção com este gigantesco barrete.
A historieta, sem pés nem cabeça, (há quem aprecie o "delicioso" revisionismo histórico proposto na cena final) regurgita de "referências" e "citações", "piscadelas de olho" aos entendidos que o decifram como uma charada ou quizz show visual para cinéfilos de sorriso beatífico nos lábios a cada trecho da banda sonora saído de um western spaghetti, a cada menção a realizadores alemães de culto, a cada fachada de cinema berlinense, a cada enchumaço corleonesco nas bochechas do Brad Pitt. Só não sei de onde vem o pormenor sórdido do corte de escalpe, talvez de algum documentário sobre um talho famoso.

Depois de realizar um filme realmente genial como o "Pulp Fiction" (que na realidade é um mundo de filmes e histórias entretecendo-se com mestria dentro de um filme cronograficamente circular), QT  tem-se afundado em coisas como a saga/seca do "Kill Bill" de onde apenas se aproveita a prestação retro/kitsch das 5.6.7.8's, e agora este "inglorious" cujas mais valias parecem ser a pronuncia apalachiana cerrada (versão americana do grunho mais grunho da mais profunda parvónia) do Brad Pitt e o supostamente inesquecível actor alemão que interpreta o nazi caçador de judeus.
Cinema ou palavras cruzadas?
Para sair de casa ou fazer um serão prefiro o cinema. As palavras cruzadas dão-me sono.

Sábado, Janeiro 02, 2010 

Bebidas antigas


Encontrei-me num dia destes no meio de uma manada que pastava para cima e para baixo no Chiado sem outro destino preciso que não fosse o gozo do passar do tempo admirando as magníficas paisagens em desfile.
À porta do Chiado, um do grupo sugeriu que se bebessem umas cervejolas.
Onde?
No quiosque da Catarina Portas no Largo de Camões, por ser uma coisa gira e onde se servem "bebidas antigas".
Ideia do caraças, como ninguém se lembrou disto antes...
Assumindo que até o antigo é relativo e que bebidas antigas são bebidas da nossa adolescência ou infância e não qualquer mixórdia medieval, anui com gosto, e depois de calcorrear de novo a rua do Carmo cheguei ao tal quiosque e pedi uma cerveja.
A rapariga ao balcão tirou-me rapidamente as ilusões: Não servimos cerveja, disse peremptória.
Aprendi assim que a cerveja não é uma bebida antiga e fiquei a seco.
Os meus amigos que sugeriram a cervejola, acabaram com uma limonada das antigas.
Saindo dali agastado com os anacronismos, virei à Rua do Norte em busca da loja da Skunkfunk para as compras.

 

Intermediários

A mensagem de Ano Novo do Presidente da República foi clara.
Não percebo por isso a necessidade dos "interpretadores" que enxamearam primeiro as televisões e daí até agora, os jornais, a "explicarem-na", tomando-a como mero pretexto para fazer passar as suas posições pessoais que apenas os vinculam a eles e não ao Presidente.
Estes interpretadores profissionais assemelham-se cada vez mais a intermediários da industria da informação. Porém, ao contrário dos intermediários da industria alimentar que para além de ganharem as suas margens mais ou menos ilegítimas, cumprem uma função, os da industria da informação apenas cumprem a função de se servirem a si próprios.

 

Votos

É giro ler os votos de um ano de 2010 cheio de "sucessos", quando toda a gente espera um ano de crise.

Domingo, Dezembro 20, 2009 

Ainda "o" tema


Pois o Governo cumpriu o prometido no programa eleitoral e aprovou os casamentos homossexuais.
Parece simples, sobretudo quando os graves problemas de que padece o País fariam supôr que passada a discussão sobre o tema e aprovada a lei, assunto encerrado, vamos para as questões realmente importantes.
Infelizmente, como frequentemente acontece com a legislação cá do burgo, o governo aprovou mas não aprovou bem, isto é, aprova-se o casamento, mas "deixa-se de fora" a adopção. O governo fez uma interpretação rigorosa do seu compromisso e não quiz assustar demasiado as mentes sensíveis que preferem ver uma criança apodrecer num asilo (sujeita, já se viu desde o caso Casa Pia, a toda a sorte de abusos) a submetê-la à supostamente catastrófica experiência de ser acolhida por uma família de pessoas do mesmo sexo. Mas, como sublinhou Ana Drago, mantém uma discriminação e vai criar complicações legais desnecessárias, visto que pelos vistos será necessário alterar o Código Civil, e já se sabe mais ou menos o que resulta das alterações às leis para resolver problemas particulares.
Claro que o Governo andou bem do ponto de vista táctico: fundou a sua aprovação do casamento no "compromisso eleitoral", e evitou tomas decisões para as quais "não está mandatado". E não estava mandatado porquê, pergunta-se. Não estava mandatado porque não se quiz perder votos à custa do espantalho da adopção. Pois se ao ver aprovado o casamento não assestou parte da direita baterias sobre a "agenda" da adopção escondida, mal disfarçando a desfeita que sentiram por não lhes ser permitido (com um mínimo de lógica, I mean...) invocar a ausência de mandato?
O problema é que do ponto de vista estratégico vamos ficar com uma situação coxa que se vai prolongar indefinidamente e que vai dar aos grupos "pró-vida" que agora se transmutaram automaticamente em defensores de uma proposta idiota de referendo, manterem durante uns tempos algum protagonismo e impedirem, de facto, de par com uma lei maneta, a concretização plena do casamento apesar de aprovado.
Quanto ao assunto em si, achei sintomático o discurso do João Pereira Coutinho (isto para me fundamentar no sujeito de direita do tipo mais de direita não há que anda por aí - não confundir com o idiota presunçoso e semi analfabeto em ascenção que substituiu o JPC na partilha da página do Expresso com o Daniel Oliveira) no programa da Constança Cunha e Sá, agitadissimo com a "trapalhada" que é a lei e a aprovação, e tudo. Pois se segundo ele, na Inglaterra até há uma coisa chamada "união civil", que é um casamento que só não tem o nome de casamento, se há já por aí diversos casos de crianças educadas por pais (agora há o caso de um tio...) homossexuais vivendo ou não em uniões de facto, só não sendo é casados, não tendo vindo até agora, mal ao mundo por isso, andamos a discutir o quê? Tenham paciência.

 

Mascarada grotesca


A cimeira de Copenhaga acabou finalmente e  foi, como era inevitável, um tremendo fracasso.
Só podia ser.
Só com grande irresponsabilidade e desprezo pelas regras democráticas se pode imaginar que decisões como as que se pretendia tomar, envolvendo o destino de milhões de empresas e pessoas com interesses contraditórios por todos os continentes, se alcançam em treze dias de reuniões e balbúrdia.
Para a mascarada ser completa nem faltou o Obama, nem faltaram as chamadas "organizações ambientalistas" que não se percebe o que lá foram fazer para além de contribuirem para aumentar a pegada ecológica e cumprirem alegremente o papel que lhes está destinado e assumiram como seu, de "alternativos" que armam a barraca do lado de fora em contraponto minuciosamente coreografado ( tom simpático e colorido inicial, o endurecimento que vai em crescendo das manifs e confrontos com a polícia, ao momento orgástico das "tentativas" de invasão) com o que se passa do lado de dentro, como os países "pobres", dirigidos na sua maioria por criminosos corruptos, dispostos a todas as danças do ventre para acederem a mais dinheiro, mais dinheiro para "salvar o ambiente", supostamente à custa dos países "ricos". O Sudão, aflito com as emissões de CO2 provenientes da carbonização de dezenas de aldeias inteiras ao longo da guerra civil que ali grassa, teve até honras de porta voz dos países "pobres".
Para que a hipocrisia fosse completa, salvou-se alguma coisa. Com o "evento", ganhou dinamismo a indústria hoteleira escandinava, ganharam as companhias petrolíferas e de aviação, ansiosas por albergar e transportar o maior número de "verdes", jornalistas e políticos.
Houve, apesar de tudo, um lado positivo: não se decidiu nada e os países mais poluidores estabeleceram um vago compromisso que pelo menos não estabelece que não querem estabelecer compromisso nenhum.
Pode ser que isto abra a porta a discussões mais sérias.
Mas era preciso todo este charivari?
Alguns lunáticos gritaram "traição", que se "alcançou pouco". Pensavam que os governos que alguns acham dominados pelo "grupo Bilderberg" e até, extra-terrestres, chegavam ali e decretavam a salvação do Mundo à vista de toda a gente? Por acaso, até foram, ao que parece, os governos mais suspeitos de envolvimento com organizações secretas que manejam o mundo como se tratasse de um programa de computador, que tentaram dar passos mais "avançados". Foram os Governos europeus. Mas como notaram alguns comentadores de direita com nítida satisfação, a Europa tem cada vez menos peso no Mundo.

 

Marry Christmas


O Presidente da República falou, como de costume, de forma vaga, sobre o tema do casamento dos homossexuais. Está mais interessado noutras coisas, disse, o que é legítimo, pelo menos mais ou menos legítimo, já que o tema faz parte do debate político corrente no País e seria mais ou menos legítimo supor que o Presidente, estando ou não pessoalmente interessado no assunto, tivesse nele, por via disso, um interesse, pelo menos mínimo.
Não é necessário, felizmente, que o Presidente fale claro sobre qualquer assunto, visto que se constituiu nos vários media uma plêiade de asseclas devidamente especializados e habilitados a traduzir-nos o que ele quiz dizer. Actualmente a tarefa até está facilitada, porque mesmo que o Presidente comente o estado do tempo, sabe-se que é uma crítica ao Governo.

 

Patrícios



Segundo os jornais, as coisas já não são o que foram no relacionamento entre os deputados portugueses de diferentes famílias políticas no Parlamento Europeu. Parece que, veja-se lá o choque, se atacam uns aos outros...
Ontem, na página 10 do primeiro caderno do Expresso veio a notícia de que o anterior Ministro da Agricultura perdeu um cargo qualquer em parte devido a pressões do PSD.
Não é que me choque que os deputados europeus portugueses de diferentes partidos criem relações de amizade entre si, tal como acontece na Assembleia da República, mas o que é que a nacionalidade tem a ver com política?
O facto de os deputados "europeus" portugueses se atacarem apenas traduz a normalização da integração política na política europeia. Qual é o problema disto?
Ainda por cima, graças ao PSD, um ex-Ministro da Agricultura conivente com a propagação dos transgénicos, tal como, ao que parece, infelizmente, o que o substituiu,  perdeu a possibilidade de ocupar um posto de responsabilidade em Bruxelas, o que só pode ser positivo.

Quarta-feira, Dezembro 16, 2009 

Sur le passage de quelques personnes a travers une assez courte unité de temps


O mítico Lúcio e Zita, a sua Compagne de sempre.

Domingo, Dezembro 06, 2009 

Eduardo Nogueira - O Lúcio


so long, bro

Terça-feira, Dezembro 01, 2009 

Desvios


O delírio consumista e a globalização levaram-nos a uma situação insustentável. É o discurso do dia.
Não é uma questão de "sistema capitalista" e de "sistema socialista". A derrocada do muro e a história da União Soviética encarregaram-se de nos mostrar que não existem "sistemas", existe O sistema.
Designá-lo como "capitalista", pode ter alguma utilidade na luta política mas é reducionista, chamar a algumas das suas variantes "socialistas", é pura e simplesmente fraude intelectual e política, uma fraude intelectual e política que já resultou no sofrimento atroz de milhões de pessoas. Os critérios, as variáveis, os termos de referência, as consequências, são os mesmos.
Acontece que existe uma luta pela sobrevivência.
A espécie humana, desenvolveu estratégias de sobrevivência que nos reconfortam, a nós, homens do princípio do século XXI e nos dão alento para o passado e para o futuro. A moral, os princípios, a religião, a cooperação, a solidariedade...
A capacidade de parte da humanidade ter conseguido atingir um estado produtivo e de redistribuição da riqueza capaz de ultrapassar em muito os níveis necessários à mera sobrevivência permitiu a emergência, nas margens das classes beneficiadas pela relativa partilha do poder, de nichos de marginalidade e de ilusão de "rebeldia" fora do "sistema". Mais reconforto para a "alma", mais "diversidade".
Como espécie não dispomos dos dispositivos de alerta colectivo e de auto regulação de comportamentos que se verificam espontaneamente noutros seres. E que achariamos aberrantes se transpostos para a nossa vida.
A tentativa de o fazer através da criação de um corpo exterior à espécie corporizado pelo estado totalitário redundou num fracasso trágico e criminoso.
Do comportamento independente e autónomo dos agentes humanos (cada um de nós) emergem certamente padrões de comportamento. Só que esses padrões não têm significado para nós, somos incapazes, eu diria que por definição, de nos apercebermos deles, ou, mesmo que o sejamos, essa emergência não tem, para nós, qualquer utilidade estética ou ética, se excluirmos pequenas experiências mais ou menos fúteis que poderiamos considerar como "gadgets" da emergência e de que no limite podem tirar proveito as bem prosaicas actividades da publicidade e o marketing.
Andamos assim ao sabor de variáveis incontroláveis, ou que se fez tudo para tornar incontroláveis num espaço de tempo muito curto, em nome de uma crença ideológica tão potencialmente destrutiva como o estado totalitário.
Encontramo-nos assim numa época em que:
1- Se apresentou como garantia do benefício de uma determinada interpretação do sistema em relação a outros, a sua capacidade de criação de um determinado modelo de consumo.
2- Essa interpretação assentou no pressuposto de estabelecimento de determinados níveis de liberdade política e de redistribuição da riqueza.
3- Todo esse modelo se encontra perante uma série de impasses: internos, por via do desenvolvimento cada vez mais irrestrito dos seus próprios mecanismos, e externos que decorrem do problema energético e dos limites físicos do nosso planeta.
4- O futuro previsível, para muitos, é a crise e o retrocesso, explicando-se a inevitabilidade da crise pelas características da interpretação do sistema e designando-se como retrocesso a chegada a um estádio de desenvolvimento de onde se quiz partir, pelos vistos erradamente.
5- Esta duplicidade é acentuada pelo facto de muitos dos arautos da crise e dos seus vícios se prepararem para combater ferozmente as medidas restritivas que se prefiguram em direcção à "retoma" de uma vida mais "sensata" e forçosamente mais dura para a esmagadora maioria da população e sobretudo para os sectores da população que mais ganharam com os desenvolvimentos dos dois últimos séculos, isto é, a chamada "classe média".
Hoje, o futuro parece tão negro quanto há dez anos era brilhante. Parece.

 

Mensagem de Natal


Bastou o pessoal ter recebido o subsídio de Natal
 para que as Amoreiras voltassem a encher
como há anos eu não via.
Nem imagino como estejam os outros
centros comerciais.
                                                  (antigo poema persa)
Avidez de tirar a barriga de misérias e a escavacar o cacau. Pens, whiskys, areia para o gato, botas (9 em cada dez mulheres com quem me cruzo usam botas de cano de várias marcas e feitios), blazers, quinquilharia vária, perfumes e artigos cosméticos, gadgets de toda a ordem, até livros, a começar pelo excelente "A Vertigem das Listas" do Umberto Eco publicado pela Difel...
Esqueçam o Dubai, esqueçam os activos tóxicos e os bail outs. Paguem mas é o subsídio ao pessoal... que logo a economia reanima.
Entre os que se acotovelavam nas bichas estava certamente muita gente preocupada com o despesismo, o rumo incerto da economia (comprando livros sobre o problema... e aí está o excelente Santiago Niño Becerra sobre a Crise de 2010 candidato a best seller), o estado do País, o facto de a nossa civilização consumista nos ter conduzido a "um beco sem saída"..., gente sensível aos avisos que sujeitos com ar bem nutrido e instalado na vida e o à vontade de quem vive a vida sem excessivos problemas (se exceptuarmos os existenciais...) nos fazem de que provavelmente a próxima crise nos levará de volta pelo menos para os anos cinquenta do século passado de que nunca deveriamos ter saído se não tivessemos embarcado colectivamente na aventura consumista... enquanto criticam o Governo por timidamente sugerir a necessidade de aumentar impostos e reduzir regalias por não conseguir encontrar outro rumo para sair da crise sem beliscar o estatuto e os "direitos adquiridos" (não é só dos sindicatos a história dos direitos adquiridos) da "classe média"...

 

Palmeiras e camelos


Referindo como exemplo o desvario de se ter construído uma pista de gelo no deserto, Martim Avilez traça no i um perfil da década de ouro do Dubai, concluindo que Portugal padece de alguns dos problemas do país do golfo com a agravante de “não ter pistas de esqui em pleno Rossio nem hotéis no Atlântico a lembrar palmeiras”.
É este um dos paradoxos que mais me surpreendem na avaliação que alguns críticos fazem da situação portuguesa: compara-se a situação negativa que se vive algures, neste caso o Dubai, com a situação negativa que se vive em Portugal, para concluir que o facto de Portugal não ter enveredado por alguns dos desvarios dos outros quando o seu exemplo era enaltecido, em vez de ser um aspecto positivo a nosso favor, reforça a sua prestação negativa.
Esta análise é sintomática da forma como se tornou comum o aproveitamento avulso dos mais díspares sintomas negativos para repetir o lugar comum que nenhum lorpa que vai à televisão não dispensa de meter na cábula para não se esquecer de papaguear, de que Portugal se aproxima inexoravelmente da “irrelevância ou do desaparecimento”.
Mas como comparar o Dubai, o país-empresa-familiar ponta de lança do “optimismo” ultraliberal e do dinamismo empresarial global descrito lapidarmente por Mike Davis em Fear and Money in Dubai, o laboratório económico desembaraçado de obstáculos ao funcionamento do mercado como eleições incómodas, partidos, oposição política, sindicatos, imprensa livre e direitos das mulheres, com o Portugal democrático que toda a gente acusa de “estagnação”?
Como comparar o modelo do ultraliberalismo, autocrático q.b. mas sem os excessos sanguinolentos do Pinochet que se colam como lapas às tentativas de credibilizar a crença, com o País que a propaganda reaccionária apresenta como "manietado pelo Estado" e a desesperar por "reformas estruturais"?
A conclusão só pode ser uma: esta gente escreve e fala sem ter a mínima noção do que diz.
É excessivamente curta a distância entre a capacidade de análise de um director do jornal e um anónimo bitaiteiro das caixas de comentários dos sites dos jornais.
Que registem este comprovativo das suas teses: a culpa disto é bem capaz de ser do nosso sistema de ensino.

Segunda-feira, Novembro 23, 2009 

Ao papel

Uma sugestão aos militantes do PC.
Rapidamente e em força para os caixotes do lixo junto ao Palácio da Justiça onde parece que se acumulam documentos  que podem vir a ter interesse em processos futuros.

Domingo, Novembro 22, 2009 

O espírito Stasi

Pelo sim, pelo não, o PC quer manter as gravações de escutas, com vista a "processos futuros".
Parece que está já tudo organizado.
Com imaginação qualquer coisa se há-de arranjar.

 

Distopia


A ler a tradução francesa de A Supposedly Fun Thing I'll Never Do Again do David Foster Wallace, isto é, "Un truc soi-disant super auquel on ne me reprandra pas", editado pela "Au Diable Vauvert", que se pode encontrar, por enquanto, na Ler Devagar.
A peça central do livro é a tradução da reportagem  publicada na Harper's em Janeiro de 1996, com o título "Shipping out". Contratado pela Harper's, DFW, embarca num cruzeiro de sete dias às Caraíbas, num superpaquete hiperluxuoso. A vida a bordo está minuciosamente programada para proporcionar ao viajante o requinte absoluto e preocupações zero.
A empresa que organiza o cruzeiro pensa em tudo, até na formas disponíveis para o cliente descrever a sua experiência. Um exército aparentemente inesgotável de tripulantes e empregados vela para que ele não tenha o menor aborrecimento em nenhum momento.
É, literalmente, o sonho realizado da "abolição do trabalho". O Pays de cocagne em movimento, o Santo Graal da nossa era. Uma antevisão da Matrix.
O reverso da medalha deste mundo ideal, tão ideal que é pressurosamente negada aos que o experimentam, a necessidade, sequer, de o interpretar, o que o torna possível, é a sociedade rigorosamente estratificada e disciplinada dos tripulantes, exército sorridente de formigas humanas dirigida sem falha pelos responsáveis do navio e da companhia que o explora.
Um desdobramento de metáforas que poderia transformar este texto como o ensaio, hoje possível, sobre a luta de classes e as relações de produção a nível planetário, sobre os pressupostos existenciais em que asssenta a nossa civilização.
Sinistro... e hilariante.
nota:
A foto é do meu exemplar do "Truc..." e apanha a  fotografia de DFW da autoria de Marion Ettlinger, publicada na contraguarda da edição da "Au Diable Vauvert".

 

Atrofia do verbo

Formados na escola dos caprichosos, idólatras do fragmento e do estigma, fazemos parte de um tempo clínico em que apenas contam os casos.
Primeiras palavras de Cioran, Silogismos da Amargura, ed. Letra Livre 2009, trad. Manuel de Freitas.
Título original: Syllogismes de l'amertume, Gallimard, Paris, 1952.

 

Salut Jorge Ferreira

Dia triste para a blogosfera com o desaparecimento prematuro de Jorge Ferreira, o criador do blog Olissipo, de onde migrou, tal como outros blogs sobre Lisboa, para O Carmo e a Trindade.
O Olissipo foi provavelmente o primeiro blog a linkar-me e julgo que o link d'O Carmo e a Trindade provém da sua lista.
Criou posteriormente o blog político Tomar Partido, que actualizou até aos últimos dias.
Esta descrição seca, esconde a impotência que nos assalta nestes momentos em que somos forçados a tomar consciência de que tudo isto passa muito rápido.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009 

Onde pára o Wally?

N'O Portugal dos Pequeninos (great minds ... together)

Quarta-feira, Novembro 18, 2009 

O regresso do filho de Estaline

Na caixa de comentários do 5 Dias tenho assistido a discussões interessantes. A mais surpreendente tem a ver com a reabilitação de Estaline que aqui e ali vai reencontrando o seu caminho até à superfície. Tal como os nazis e os seus rapazes ultra informados nos detalhes historiográficos mais minuciosos que comprovam que eventualmente terá havido os seus abusos mas que historietas como os campos de extermínio são apenas a história escrita pelos vencedores, isto é, as democracias corruptas, tal como Pides e antigos retornados vão pouco a pouco arranjando lata para irem publicando umas obrinhas reabilitadores do regime fascista português, verifica-se que também os estalinistas fizeram o seu trabalho de casa e recompuseram ao longo da última década um pequeno arsenal argumentativo para reabilitarem os "avanços do socialismo".
Neste momento coabitam em paz, que a luta de classes ainda não cria necessidades prementes de delimitações de território intelectual, três correntes :
A ortodoxa dos que defendem que com as correcções introduzidas pelo relatório Krutchev tudo estava a correr às mil maravilhas. Limitam-se a defender a realidade vigente à data da queda do muro e optam, face ao Gulag e a Estaline uma atitude de crítica cautelosa. É a linha oficial de face relativamente benigna do PC.
Os que defendem que os crimes do Estaline e o Gulag foram "erros" "grandemente exagerados" pela propaganda anti-comunista, mas necessários à construção do socialismo, e que o caminho para a desgraça se iniciou com a adopção da "linha revisionista de Krutchov"... a linha, afinal, que segundo reza a fábula foi a linha do PCP, tendo dado origem a expulsão dos que se lhe opuseram e tudo...
No meio apoiantes do PC obviamente fascinados com o discurso mais radical.

 

A comissária

Estava agora a ver um programa de tv em que se debatia o caso Face Oculta (que já não é discussão nenhuma do caso Face Oculta, é um pretexto como outro qualquer para se discutir a tentativa de envolvimento de Sócrates num caso qualquer).
De um lado Emídio Rangel, do outro a Santa Aliança contra-natura (para os incautos) "esquerda"-direita, Carlos Abreu Amorim da Esquerda e Joana Amaral Dias da Direita, ou vice versa porque o discurso é intermutável.
Discutia-se o que CAA classificava como as "afirmações mais graves" que já ouviu a um responsável político em democracia, a afirmação do Ministro Vieira da Silva sobre a espionagem política a que tem sido sujeito o primeiro ministro.
Rangel explicou as razões que justificam a afirmação.
Joana Amaral Dias comentou que neste momento apenas os "comissários políticos" defendem o Primeiro Ministro.
Não explicou que tipo de "comissários" é que acusam o primeiro ministro de algo que não se sabe bem o que é porque alegadamente se encontra em segredo de justiça, mas que eles, e só eles, sabem insinuar que sabem o que é.

 

4 Anos 1000 posts

Parece um incrível acto de bruxaria.
Não sou muito de efemérides mas não sei porquê, recordei-me do primeiro post do Bidão.
Só então reparei na data. Faz hoje exactamente 4 anos.
E quando abri o editor verifiquei que este seria o post mil!
Não sei o que quer isto dizer, mas que quer dizer alguma coisa, lá isso quer...
Os meus agradecimentos à meia dúzia de incautos e/ou calões que contribuiram para as 17 mil e tal visitas feitas ao Bidão até este momento. 17 mil visitas! Em linguagem blogosférica não é nada, mas para este buraco semi anónimo é uma barbaridade.

Domingo, Novembro 15, 2009 

Ensinem a esse senhor um mínimo de sentido de Estado

O comunicado do Procurador Geral da República prova sem margem para dúvidas que Augusto Santos Silva MENTIU DELIBERADAMENTE quando violou o segredo de justiça referindo numa entrevista existirem 52 cassettes com escutas de conversas de Sócrates, no intuito de desviar a atenção da opinião pública dos graves problemas do País para questões menores que só interessam a intriguistas de meia tijela.
Afinal trata-se de CDs, e porradões deles, perco-me a contá-los.
A manobra é óbvia, a resposta só pode ser uma!
DEMISSÂO, JÁ!

 

Chega

Steven Colbert via Jugular. E não vou dizer mais nada sobre o assunto.