Terça-feira, Novembro 10, 2009 

Rasca

Para chamar rascas a gajos destes é preciso usar de muita indulgência.

Domingo, Novembro 08, 2009 

No pasa nada

Personagens respeitáveis como o Bastonário da Ordem dos Médicos alertaram contra o "alarmismo".
Personagens menos respeitáveis tão dispostos a alertar hoje para os "custos excessivos" da prevenção, quanto preparados para verberar a "ineficiência" do estado em caso de tragédia, espojaram-se em ditos espirituosos acerca da "Ministra da gripe".
Psicopatas da teoria da conspiração que não vêem na televisão como é que o exército americano abate ao activo diariamente umas centenas de afegãos ou iraquianos, berraram ai Jesus, agora é que vem a vacina assassina da CIA para matar uns biliões de uma penada.

 

Listas

Aguardo com alguma curiosidade que os jornais publiquem as listas completas dos contactos telefónicos feitos ou recebidos ao longo dos últimos meses pelos arguidos do processo Face Oculta. É que até ao momento ainda só ouvi falar de um deles, e certamente que a opinião pública merece saber muito mais.

Sábado, Novembro 07, 2009 

Pontapé nos núcleos

Recorde-se que estes reactores são do mesmo tipo que um grupo de investidores tem vindo a promover em várias iniciativas ao longo dos últimos anos destinadas a impôr o nuclear como a salvação para os problemas energéticos do nosso País.
É por isso estranho que a notícia tenha passado quase completamente despercebida em Portugal.
No Expresso de hoje, há uma nota de 5 linhas na página 29, resumindo uma notícia mais completa do Expresso online do passado dia 3...
Na sua edição do passado dia 5, o Público foi um pouco mais longe. Um artigo assinado por Lurdes Ferreira recolhe os comentários de Pedro Sampaio Nunes, um dos responsáveis pelo "debate" do nuclear em Portugal.
Segundo o artigo, o reactor em construção em Olkiluoto, na Finlândia, já leva uma derrapagem de dois anos em prazo (sobre dois anos de construção, o que é caso para dizer que ainda a procissão vai no adro ) e dois mil milhões de euros no orçamento.
Isto só me faz lembrar a "ordem" dada pelo presidente da CIP, Francisco Vanzeller, há uns meses atrás, para que os partidos políticos incluissem o nuclear nos seus programas de governo.

 

Zuche da caximónia

Aquando da surpeendente dúvida levantada pelo deputado do PC Bernardino Soares sobre se a Coreia do Norte seria ou não uma democracia, acreditei ingenuamente que essa "dúvida" se tratava de um caso isolado e que ele não queria dizer bem aquilo que disse, tratar-se-sia de uma ironia idêntica à de Manuela Ferreira Leite sobre a interrupção da democracia.
Porém, nas discussões em que tenho participado nas caixas de comentários do 5 dias percebi a minha ingenuidade.
Para uma série de gente, a Coreia do Norte não é apenas UMA democracia, a Coreia do Norte é A democracia.

Domingo, Novembro 01, 2009 

Recompensa

Não se pense que Vilarigues está isolado quando se baseia, para reflectir sobre o Gulag, nas investigações de um sujeito "profundamente conservador" .
Esta "visão" de personagens credenciados na hierarquia da esquerda para quem as opiniões de reaccionários são mais credíveis do que as dos esquerdistas é relativamente comum.
Basta lembrarmo-nos no Mao que achava o Nixon mais credível do que os americanos de esquerda que o bajulavam.
Coisa de dar que pensar aos "militantes de base".

Sábado, Outubro 31, 2009 

O estranho caso de António Vilarigues

Leio, poucos meses depois do abalo de "The whisperers" de Orlando Figues, e fico um bocadinho perplexo:
1 - Parece que a natureza “profundamente conservadora” de Zemskov garante a fiabilidade do estudo (deste, pelo menos...).
2 - Porque é que esta versão dos factos é inequivocamente superior às anteriores?
3 - Apenas 4 milhões de vítimas garante que as coisas, afinal, "não eram assim tão más"? Que se vivia mesmo num quase paraíso?
4 - “reprimidos” entre aspas significa o quê? E “apenas” 800 mil fuzilados?
5 - Quantos ocupantes houve no Tarrafal (1) ? E fuzilados? São números que resgatam o fascismo do seu carácter asqueroso? Ou teria bastado um de cada para o confirmar?
6 - Em que é que esta versão alterou a visão que o autor já tinha do caso? Quero dizer, quais os limites inferiores do “detonador” da “bomba atómica”?
7- António Vilarigues esperaria que a imprensa se deveria interessar por este caso de revisão para baixo do número de vítimas estimadas do Gulag para DIZER BEM de um regime que "apenas" terá fuzilado 800 mil presos políticos?
7 - Bomba atómica ou nem tanto. Haver no séc.XXI quem nos alerte para os “horrores” do sistema actual e se sinta aliviado por hipoteticamente terem havido “apenas” 4 milhões de ocupantes do Gulag.
Chocante.

(1) Quanto à mortalidade do Tarrafal, também altíssima, atingiu 10% (32 ou 33) dos 333 prisioneiros que ali foram encarcerados, entre 1936 e 1954. Excerto de Irene Pimentel "Alguns dados sobre o campo de concentração do Tarrafal (1) no blog Caminhos da Memória. Nenhum foi, ao que parece, fuzilado.
nota : Com algumas adaptações este foi o comentário que deixei no artigo do Público.
O comentário surgiu, por qualquer razão técnica assinado como "anónimo". Fiz um segundo comentário a corrigir isso mas por qualquer razão técnica não foi publicado.

 

A grande revelação

António Vilarigues publicou ontem no Público um texto perturbante de que transcrevo algumas passagens:

Quinta-feira, Outubro 29, 2009 

Compte rendu

Isto parece que eu tenho abandonado o Bidão, mas não é o caso.
Tenho trabalhado imenso na blogosfera seguindo e ocasionalmente intervindo em blogs como o Jugular (em geral), o 5 dias (a espectacular polémica do Gulag com intervenções de luxo nas caixas de comentários de referências de várias tendências da esquerda portuguesa como Miguel Serras Pereira e Vítor Dias) e o Esquerda Republicana, numa troca de ideias sobre o proselitismo ateu a propósito da outra polémica do momento, entre o Saramago e a Bíblia.
E o problema é esse, não sei porquê, mas parece que me dá mais gozo chutar logo um comentário do que encher o Bidão de prosas descontextualizadas que me obrigam a esforços redobrados de linkagens.
Uma das poucas PC com quem me relaciono, a minha amiga e simpaticíssima Joana, queixa-se de que o Bidão está chato, é só letras, faltam ilustrações.
A razão é só uma, tenho tido pouco tempo para ilustrar os posts. Retomarei o hábito logo que tenha oportunidade.

 

Trabalheira

É no que dão as insónias. Acordei de madrugada e sem querer fiz provavelmente o mais longo e chato post do Bidão. A pica era tanta para publicá-lo que já farto da seca de andar à procura dos links me esqueci de lhe pôr um título qualquer.

 

No 5 Dias, o Nuno Ramos de Almeida está farto da "polémica do Gulag" iniciada por uma passagem de uma entrevista em que a nova deputada do PCP, Rita Rato revelou que nunca estudou nem leu nada sobre o Gulag.
Tendo sido Rita criticada em vários blogs por esta resposta, saiu em sua defesa Vítor Dias no O tempo das cerejas, imediatamente secundado pelo blogger do 5 dias Carlos Vidal, dando início a um debate aceso e generalizado entre posts de vários dos autores do 5 dias e imensos comentários.
Para fechar a polémica, NRA escreveu em a "crónica de um linchamento" que
Que a imprensa "burguesa" não pergunte a todos os políticos "burgueses" sobre outros casos conhecidos (não discutindo agora questões de impacto e dimensão), explica-se, talvez, porque apesar de não terem, por definição, meios de fazer passar a perspectiva única e justa do "proletariado", os media "burgueses" sempre foram cobrindo mais ou menos esses acontecimentos de tal modo que qualquer um pode dizer que "está a favor" ou "contra".
Alguém que "ignore" a guerra do vietname não é um político inculto, é um analfabeto tout court, estude ou não ciências políticas, seja ou não deputado do PC.
Mais ainda, a perspectiva dominante no "mercado" é de simpatia para com o Vietname.
Como pode?
Talvez por serem pequeninos e as pessoas ignorarem que o "Tio Ho" liderava um exército de comunistas irredutíveis que já tinham posto os franceses com dono.
Não me consta é que alguém lesse ou leia a imprensa norte vietnamita ou visse ou veja o jornal nacional da TVI Vietnamita.
E que dizer da guerra do Iraque em que o poder, escaldado com o papel dos media no Vietname tentou, apesar de apoiado numa operação de propaganda sem paralelo em que participaram entusiasticamente e com o objectivo deliberado de dar uma visão única do conflito, os mais poderosos meios de comunicação, ideologicamente identificados com a guerra, controlar em quantidade e qualidade o fluxo de informação através do conceito mágico do jornalismo "embedded"?
Quem tenha folheado nos últimos sete anos uma série de sites, revistas ou jornais, americanas e inglesas, do mais "burguês" que imaginar se possa, pode ter uma noção do papel que essa imprensa teve no desmoronar da estratégia neoconservadora relativamente a esta questão específica (claro que se torpedeou "este" aspecto específico é para "esconder" ou "escamotear" outros, mas isso, para já, são outros quinhentos).
Em Portugal, depois do 25 A, a imprensa "burguesa" não conseguiu de todo "abafar", apesar de todos os seus desmesurados esforços, a existência do nosso campo de concentração fetiche,o campo de concentração dos campos de concentração, o temível Tarrafal, por onde terão passado umas centenas (uns milhares?) de pessoas.
Que eu saiba não há político "burguês" que o ignore e, dada a oportunidade o vitupere (hipocritamente, claro está). Não é notícia, sejamos práticos, perguntar a alguém hoje, a propósito ou a despropósito, mesmo que no intervalo do futebol, "acha que existiu o Tarrafal?" ou "concorda com o Tarrafal?". Já foi chão que deu uvas a imprensa maçar membros do PCP com pedidos de esclarecimentos sobre o Tarrafal. Não sei se algum dia algum respondeu que "não esteve lá".
O que parece ser consensual entre a "burguesia", possivelmente por lamentável e hipócrita simpatia pelo aberrante e enganador conceito dos "direitos humanos", é que apesar de a esmagadora maioria ou a totalidade dos ocupantes do Tarrafal terem sido perigosos comunas antidemocráticos, se trata de um local que simboliza o asqueroso regime deposto a 25 de Abril e que inspira justificada e generalizada repulsa.
Mesmo apesar das "traições" ao 25A, ninguém, nunca, teve a lata de sugerir (pelo menos publicamente) que alguma vez tal coisa pudesse voltar a existir em Portugal.
A única aproximação, por muitos levada a sério mas que não passou com certeza de boutade irreflectida, foi a famosa boca do Otelo sobre o Campo Pequeno durante o PREC no regresso de uma visita a Cuba.
Mas o que fazer do Gulag (basicamente contemporâneo do Tarrafal)? Bah! A dimensão da coisa (do "local", do número de vítimas, do significado), o afastamento geográfico, ultrapassa-nos. Francamente, ir de Lisboa ao Porto já é um esticão (e admitindo que vamos numa dessas autoestradas que não servem para nada que não seja para prolongar a dominação da burguesia sobre "a classe" e para a classe dominante se exibir passeando os seus veiculos de grande cilindrada e de topo de gama).
Dá para imaginar os confins da Sibéria? Eu não consigo nem com a ajuda do Google Earth.
E quando se começa a pensar nos mecanismos mentais necessários para que se reconheça - a custo- que é um "erro", ou mesmo que é uma espécie de acto necessário, o sangue do parto de uma nova vida, mais perplexo se fica.
Sobretudo quando o impagável Carlos Vidal reinvindica também para o "proletariado" os mesmos séculos de "tentativa e erro" que a famigerada burguesia teve até poder aniquilar a aristocracia numa penada em três anitos de terror.
Vai-se a ver e à pala da emancipação dos professores e outras classes ferozmente oprimidas por este "regime" ainda valia a pena abrir aí um sistema de campos de re-educação lá para o Alentejo enquanto aquilo não é ocupado pela tenebrosa industria turística que tão mal faz aos trabalhadores.
Numa primeira fase para adversários políticos e dissidentes, depois logo se veria. Se desse para o torto, seria mais um erro na gloriosa caminhada.
Recomeçava-se de novo noutro lado qualquer.
Disto tudo resultam alguns sinais convergentes porventura sintomáticos de uma época.
Os neoliberais dizem à populaça que "arrisque" a perda dos mecanismos de protecção que o Estado confere aos cidadãos como resultado de décadas de difíceis lutas, porque no arriscar é que está o petiscar a lagosta suada do glorioso mundo dos ricos.
Os comunistas dizem ao povo que "arrisque" "rupturas" onde é "natural" que se cometam "erros" da dimensão(zinha) do Gulag porque no fim virá a lagosta suada do glorioso mundo da humanidade emancipada.
Como todos reconhecem é bem mais interessante o segundo apelo, pelo que os sacrifícios e o risco é natural que sejam maiores.
A segunda convergência é uma certa histeria "anos trinta do século XX" que se vai notando nalguns posts do Carlos Vidal, em particular o notável "ainda a polémica", magnificamente ilustrado pelo construtivista Chernikov. Espero que não seja mais do que um epifenómeno e que não antecipe um eclodir na sociedade portuguesa de outras tendências extremistas.

Domingo, Outubro 25, 2009 

Frustração

Francamente já estou um bocado saturado deste meu período de desvio de direita relacionado com o ciclo eleitoral e a conjugação das campanhas "asfixia democrática" " demolição reles e pessoalizada da figura do primeiro ministro", e apetece-me começar a criticar o governo.
Infelizmente a oposição não me deixa.

 

O bacilo de Koch

Numa coisa tem o Pacheco razão. Este país é pequeno e medíocre para gente com visões grandiosas como ele. Falta aqui o elemento fundamental que alimenta na luta contra o "pensamento único" e o socialismo imposto subreptíciamente, a génese de movimentos "genuínos" ou "de base".
O cacau. (1)
Com gente a financiar-lhe "manifestações espontâneas", o Pacheco seria BIG.
Veja-se o que acontece actualmente nos Estados Unidos com a oposição a essa tenebrosa tentativa do Presidente Obama de instalar o comunismo soviético na américa criando um sistema de segurança social digno desse nome.
" While President Bush was trying to promote Social Security privatization, a woman in Iowa who identified herself as a "single mom" won a coveted spot on the stage from which she praised Bush's plan. It was later revealed that she was FreedomWorks's Iowa state director. She had spent the previous two years as spokeswoman for something called For Our Grandchildren, a pro-privatization group that is itself, according to SourceWatch, the nonprofit monitoring Web site, an offshoot of another group, the American Institute for Full Employment (an outfit advocating reform of welfare that was funded initially by a multimillionaire in Klamath Falls, Oregon, who made his fortune in doors, windows, and millwork).
I mention all this because it suggests how astroturfing (2) works. An existing nonprofit group sets up an ad hoc one devoted to a particular cause or idea. It is given an otherwise good-sounding name, and is presented as having sprung up spontaneously. But always, there is corporate money behind it, donated by rich conservatives who have the sense to see that an image of broad populist anger will be more convincing to the unpersuaded (and to the press) than an image of a corporate titan pursuing a narrow and naked interest.
With respect to the Tea Parties and especially the summer's town-hall meetings, a key corporate titan appears to be Koch Industries of Wichita, Kansas. Fred Koch (pronounced "coke") founded the company in 1940 as an oil business but it has expanded into natural gas, pharmaceuticals, fertilizer, and many other areas. He helped create the John Birch Society in the late 1950s and died in 1967. His two sons who run the business now, David and Charles, have foundations that donate millions to conservative and libertarian causes and groups, including notably the Cato Institute. One Koch-funded group used to be called Citizens for a Sound Economy. It became Americans for Prosperity (AFP) in 2003, a group that has advocated limited government and opposed climate change legislation. Earlier this year, Americans for Prosperity launched a Web site called Patients United Now, which ran frightening television ads opposing health care reform
"
notas:
(1) AHIP é a America's Health Insurance Plans
(2) a expressão "astroturfing" teve origem num tipo de relva artificial que era publicitada como parecendo genuinamente natural e foi introduzida no vocabulário político designando movimentos que aparecem disfarçados de "genuínos" e "espontâneos" e que na realidade são campanhas pagas. É o caso da generalidade das campanhas de desinformação da ultra direita americana. Para os pachecos e seita afim são exemplos recomendáveis de luta contra o "politicamente correcto".

 

Tique

Fui ler o último artigo do António Barreto já irritado com o título, mas tem de se reconhecer que é uma interessante análise das presentes circunstâncias políticas.
Se ao menos o António Barreto fosse capaz de prescindir daquelas conclusões vagamente paternalistas e lapalissianas ("Anunciam-se maus tempos para este pobre país."...) em estilo franzir-de-testa-olhos-em-alvo-"esgraçadinha" de fatela romance de cordel...

 

Piedade

Alguém terá pachorra para dizer ao Pacheco que já chega e que se está a cobrir de ridículo?
Parece-se cada vez mais com uma velha e uma velha chata. "Próceres" já não está "in", já o Pulido Valente lhe esgotou o efeito, e há que anos.
Que vá para trás-os-montes lamber as feridas das derrotas políticas.
Que se enfie num convento ou num turismo rural isolado a escrever (e a comer) postas mirandesas ou o volume da biografia do Cunhal depois de morto.

 

Banhas

A informação vem da associação dos obesos, um órgão nítidamente corporativo, um interesse nitidamente "instalado".
Dizer aos obesos que comam menos não é opção, porque se comessem menos ou melhor, deixavam de pagar quotas na associação e ainda eram capazes de morrer atropelados ou da próstata ou do colo do útero, indo assim engrossar os contingentes das respectivas associações de profissionais da queixa, concorrentes no bizarro objectivo de ressonâncias homofóbicas de reduzir "as bichas".
Mas por outro lado aleluia, Deus escreve direito por linhas tortas só para chatear o Saramago, e um outro "estudo" garante que os obesos suportam melhor as doenças cardiovasculares do que as pessoas magras.
Afinal o que é que faço? Mantenho-me gordo e morro à fome à espera de consulta ou emagreço e dá-me um colapso?
Não queres ver que vou ter de acabar por morrer de uma merda qualquer?

Quinta-feira, Outubro 22, 2009 

Nivelamento

Em mais um "estudo" hoje referido no "Metro", Portugal é, entre a comunidade PALOPS+Brasil+Portugal, o segundo país com menor índice de desigualdade.
O País com maior índice de igualdade é... a Guiné Bissau.
E há lata para publicar uma notícia sobre isto...

 

Olha que mau...

Obama é agora comparado a Nixon. Por quem? Entre muitos outros, pelos republicanos que o comparam a tudo o que seja mau, nem que seja um deles, não por considerarem o Nixon mau mas porque na presente situação serve de arma de arremesso "imparcial".
E qual problema de Obama?
Ao atacar a Fox News, mostra que "" inimigos em "todo" o lado.

Não sei, não estou suficientemente informado sobre o fundamento da atitude de Obama e à partida parece-me pouco realista e defensável.
Mas não consigo descortinar o que "vê" alguém que considere que a Fox News não é uma estação de televisão ostensivamente dedicada a atacar Obama, assim como durante o consulado Bush foi uma espécie de voz do dono cuja vozearia procurava abafar a liberdade de expressão na América e, via os seus proxys avençados ou simplesmente fanatizados, no resto do planeta.

E admiro a imaginação dos que acham que a Fox News produz informação "objectiva"

Terça-feira, Outubro 20, 2009 

Vítima e culpado

A "filosofia" por detrás da aplicação da justiça em Portugal tem detalhes que me deixam perplexo.
Um deles tem a ver com a famigerada "violência doméstica".
O facto de existir uma rede de "casas de abrigo" e toda uma panóplia de organizações públicas e privadas, linhas de apoio à vítima, etc., é na realidade um sitoma da preversa inversão de perspectivas por parte da sociedade e do estado.
Repare-se no absurdo: é a vítima que é impotente, é a vítima quem tem de "encontrar abrigo", é a vítima quem tem de ser "escondida" de um psicopata, muitas vezes autor reiterado de crimes teoricamente punidos por lei, mas que na prática não passam de frases grandiloquentes espetadas no papel.
O agressor tem total liberdade de actuar, agredir, ocupar o espaço público, à vítima resta fugir e esconder-se, "evitar" frequentar o espaço público. Não apenas nos casos abafados no "silêncio do lar", mas também em situações de que é dado conhecimento às autoridades. O agressor anda de mãos livres, nada o persegue, o intimida ou obriga a esconder-se.
A necessidade mórbida de proteger os direitos dos agressores inibe as forças policiais de tomarem qualquer acção de protecção efectiva de uma vítima ou de controle efectivo de um agressor, mesmo informadas de factos e com testemunhas, sem que decorra um longo processo em que o Estado difere o mais que pode qualquer acção concreta, a não ser, em determinadas circunstâncias "ajudar" a vítima a esconder-se ou, pior ainda, incita vítima e agressor, a tentarem "a bem", entenderem-se.
Na melhor das hipóteses, a polícia abre um processo burocrático, toma nota das ocorrências.
Quando há crianças pelo meio, é sabido que a situação se complica.
Para lém de um pretexto para o agressor se tentar manter sempre em contacto com a vítima, entra em cena mais uma panóplia de funcionários, ansiosos por saber se tudo está a ser feito de acordo com " os superiores interesses da criança", uma figura mistério cujos contornos apenas eles têm o poder para definir.
Ainda não consegui perceber se a passividade demonstrada pelo nosso sistema judicial face à desvantagem em que a vítima se encontra, reside no conteúdo das leis ou numa espécie de greve de zelo seguida por todas as autoridades como protesto silencioso contra um sistema em que se não revêem.

Segunda-feira, Outubro 19, 2009 

Haja dó

Um fascista nunca aprende. É o que se depreende da leitura da entrevista a José Hermano Saraiva pelo seu sobrinho, o arquitecto Saraiva, hoje publicada na revista TABU que acompanha o semanário Sol.
Segundo José Hermano Saraiva, baseado numa historieta que lhe contou um PIDE qualquer, Aristides de Sousa Mendes não salvou judeu nenhum.
Quem salvou quarenta mil pessoas entre refugiados políticos republicanos e judeus em fuga do nazismo foi.... quem mais poderia ser? o Salazar...
Queixando-se ele de que nunca ninguém investigou a veracidade do "mito" de Aristides eis as provas em que se baseia para o "desmascarar":
Mais tarde, o Eng. Leite Pinto antigo ministro da Educação, contou-me que, quando era administrador dos caminhos-de-ferro da Beira, Salazar lhe pediu para fazer uma operação-mistério, de grande porte, que era transportar da fronteira de Irun para Vilar Formoso milhares de republicanos espanhóis e judeus que lá estavam acumulados e que o Franco, se os apanhasse, matava. E que, se lá ficassem, eram mortos pelos apoiantes do Hitler. Então, os comboios do volfrâmio, que iam para lá selados, eram despejados em Irun e recarregados com os refugiados, que eram despejados em Vilar Formoso. Daí eram levados para várias terras – uma delas, as Caldas da Rainha, onde toda a gente sabe que estiveram um mês. Ao fim de um mês tinham de ir à sua vida. De facto, qual era a possibilidade de um cônsul, um simples cônsul, mobilizar meios para transportar 40 mil pessoas através de um país hostil? Como é que isso seria possível? Só era possível para uma organização estatal, como é evidente."
No meio ficam umas sugestões caluniosas para Aristides, que metem "processos disciplinares", problemas de dinheiro originadas por família numerosa, venda de passaportes... enfim, um nojo.

Domingo, Outubro 18, 2009 

Big Brother eleitoral

Pegando no mote de um Santana Lopes semi turvado por uma vitória que tinha como matematicamente certa, o impagável arquitecto Saraiva aproveitou a semana "de reflexão" até à publicação da edição do seu semanário subsequente às eleições autárquicas para usar a máquina de calcular e nos revelar a sua "tese científica" sobre o resultado eleitoral em Lisboa.
A tese, que se desculpa quando enunciada por Santana em desnorte momentâneo e a quente, é a seguinte:
O PS ganhou as eleições em Lisboa graças a um acordo secreto de transferência de votos com a CDU e o BE.
Saraiva, após matutar maduramente sobre a questão expõe a teoria do seguinte modo no número de hoje do Sol:
Independentemente de considerações que se passam fazer a partir de manipulações de números, será concebível que alguém com uma noção mínima do que são os processos eleitorais, possa imaginar que mesmo existindo um acordo entre as direcções partidárias, um partido, qualquer que ele fosse, poderia dar, não à totalidade, mas a PARTE dos seus eleitores, secretamente, instruções no sentido de transferir, mais ou menos exactamente o número de votos que fez a diferença entre os dois principais concorrentes?
Esta concepção dominante no submundo da "análise política", do "eleitorado" de cada partido concebido já não como correspondendo a interesses de determinadas classes ou grupos da população que em determinadas circunstâncias se revêem neste ou naquele partido, mas como uma espécie de gado em que cada bezerro transporta consigo um chip do partido ou manada a que "pertence" e que se "desloca" de um lado para o outro "transferindo-se" de rebanho em rebanho como se errando de pastagem em pastagem, subjaz, infelizmente, não só às análises políticas mainstream de analistas que não se sabe como encontraram o seu caminho para os ecrans de televisão ou as colunas dos jornais, como à própria esquerda supostamente detentora de ferramentas conceptuais mais sofisticadas. E dá este resultado.
O PC, um partido que toda a gente reconhece como estando em declíneo, teria uma espécie de controle sobre todos os seus votantes. Sabe quem são todos, e dá ordens a cada um como votar de acordo com os interesses momentâneos da sua direcção.
Visto de outra maneira: se nem o PC, nem ninguém, nem as empresas de sondagens, tem ideia dos votos que vai ter, como é que se pode conceber que esse partido pode assumir acordos "secretos" para ceder uma "parte" precisa do seu eleitorado? Será que o arquitecto imagina que os votantes no PC são uns zombies que estão ligados por um sistema de comunicações à sede do Partido que escolhe o número dos que vão votar noutro partido para viabilizar uma determinada estratégia? É absurdo.
E é absurdo tanto mais que os números de votos no PC, no BE, no PS e no PSD e CDS flutuam de vários milhares para cima ou para baixo em cada eleição.
Se por exemplo, o Santana Lopes tivesse feito o pleno do PSD mais o CDS nas legislativas em Lisboa, teria tido cento e trinta mil votos, isto é, mais quase 22 mil votos dos que obteve o que tornaria o putativo esforço do PC, inglório porque não teriam sido suficientes os tais quinze mil votos "do PC".
Mas antes da votação ninguém poderia saber que meia dúzia de votos da CDU bastariam, já que a diferença de votos entre PS e a coligação foi de mais de quatorze mil votos.
Os tais quinze mil votos "da CDU" só se tornaram úteis DEPOIS da votação, e nada podia prever a sua importância absoluta ou relativa para a vitória do PS.
A necessidade mesquinha de minimizar, ou "explicar" de qualquer maneira a vitória da lista de Costa sem lhe conceder mérito próprio, obriga a diversos "mabalarismos" mas quando se pensa que a imaginação tem limites, eis que o inacreditável arquitecto Saraiva nos lembra que há valores de referência em obtusidade que são difíceis de igualar.

 

À atenção da "esquerda radical"

Não deixa também de ser divertida a aflição do Pulido Valente, manifestada na crónica referenciada no post abaixo, pela possibilidade de "divisão irremediável da oposição".

 

Muda a cassette

A ideia é simples: o Bloco, o CDS, o PC e o PSD, que perderam as eleições e cuja única "vitória" de que se podem gabar é a de terem impedido a maioria absoluta do PS, exigem apenas, para viabilizar a governabilidade do País num momento que todos apregoam ser de crise, que sejam eles (cada um por si) a impor os seus programas. Mas não o fazem de livre vontade, não é o resultado da avaliação politica independente que fazem as suas direcçõos políticas, é o Sócrates, o mau da fita, ( o tal que Vasco Graça Moura na sua infinita sapiência classifica de tudo e do seu contrário, colmatando com adjectivação a indisfarçável tacanhez política) que está a "arrastar" as bítimas incautas nessa direcção... provavelmente, para posteriormente se "vitimizar"...

 

Ha vida em Marte?

Numa entrevista ao DN, Ângelo Correia explica a Vasco Graça Moura porquê é estúpido chamar estúpido ao eleitorado.

Manuela Ferreira Leite e a sua equipa são em primeira linha os maiores responsáveis pelo que aconteceu. Mas é evidente, quando o PSD a escolhe para líder e à equipa, é todo ele responsável. As culpas nunca são de uma pessoa só.

A campanha de Manuela Ferreira Leite não existiu. Tenho uma grande dificuldade em falar de uma coisa que não percebi o que era.

Manuela Ferreira Leite não olhou para Portugal. Olhar para Belém ou para S. Bento pode ter a sua importância, mas nesta altura interessava olhar para o País. Falhou a relação directa do partido com o povo, nas sedes locais, nas freguesias e contar com todas as classes sociais para se aperceber dos problemas. Se o partido funcionasse bem, tudo isso ecoava e chegaria à cúpula, mas o discurso não foi esse. Se assim fosse, talvez Manuela Ferreira Leite tivesse ouvido, mas o partido estava paralisado e dividido e os responsáveis, ela e a equipa, não o fizeram.

DN: Então, qual a razão de se falar tanto na asfixia democrática?
Para Manuela Ferreira Leite foi mais importante a opinião de duas pessoas do que o partido por inteiro e o País.
DN:
Quando diz duas pessoas, é mesmo esse o número. Quem são?
Duas pessoas.
DN:
Pacheco Pereira?...
Com certeza. E Paulo Rangel, obviamente. Quando ouve essas duas pessoas em vez do País e o partido, sujeita-se às consequências. E está à vista.
DN:
São eles os responsáveis pela "asfixia" da campanha?
Podem ser e podem não ser. Porque podiam ter enunciado a questão, mas não lhe ter sido atribuída a prioridade que Manuela Ferreira Leite deu.

Sábado, Outubro 17, 2009 

Então porque não ficas mais bonita?

Consegui finalmente ver a famosa segunda parte da Prós e Contras em que o José Manuel Fernandes "enfrentou" o João Marcelino.
Como o Zé Manel andou por ali a titubear e nem queria discutir o assunto, quem fez as despesas da festa foi o director do Expresso, Henrique Monteiro, que montou a tenda e com a passividade ou impotência da moderadora, não permitiu a mais ninguém que falasse mais do que alguns segundos. Bloqueou pura e simplesmente a discussão, e nem permitiu o que provavelmente muitos espectadores esperavam: que Marcelino se explicasse.
Uma torrente de interrupções a propósito e a despropósito sem que ninguém lhe dissesse, "porque no te callas", pelo menos durante um bocadinho.
Tudo isto para tentar iludir em "responsabilidade" e "prudência" o patético comportamento do Expresso no caso "escutas" e a dor de corno que toda essa gente ligada ao Cavaco e ao PSD sentiu por ter visto o seu jogo desmascarado na recta final da campanha eleitoral. No final deixou no ar a sugestão (isto acaba sempre em sugestões) de que a história ainda não está toda contada.
Factos? Zero.
Como cereja no topo do bolo, o Henrique tentou puxar de galões e ganhar vantagem "moral" sobre o director do DN porque este, ao invés dele que sempre foi um jornalista político, fez parte da sua carreira na imprensa desportiva. Faz lembrar a anedota do alentejano: se fizeste a tua carreira sempre na política e era suposto distinguires-te por isso, porque fizeste a figura que fizeste?