quarta-feira, janeiro 06, 2010 

Democracia telefonada

Lara Santos introduziu esta noite um debate na TVI24 sobre o Referendo ao Casamento de Pessoas do Mesmo Sexo, referindo-se ao inquérito telefónico que decorria naquela estação de televisão em que  cerca de 75% das chamadas se tinham manifestado a favor da realização do referendo:
"Não é um estudo científico mas é uma manifestação clara do povo português"...
É esta a percepção de uma jornalista de televisão sobre o carácter de um inquérito telefónico.

segunda-feira, janeiro 04, 2010 

Entremeada de escalpes

Não quiz entrar em 2010 sem ver o filme de 2009 que toda a crítica profissional e amadora classificou como "de génio": Inglorious Basterds do Quentin Tarantino.
Eu sei que as minhas credenciais cinéfilas são zero, mas sofri uma profunda decepção com este gigantesco barrete.
A historieta, sem pés nem cabeça, (há quem aprecie o "delicioso" revisionismo histórico proposto na cena final) regurgita de "referências" e "citações", "piscadelas de olho" aos entendidos que o decifram como uma charada ou quizz show visual para cinéfilos de sorriso beatífico nos lábios a cada trecho da banda sonora saído de um western spaghetti, a cada menção a realizadores alemães de culto, a cada fachada de cinema berlinense, a cada enchumaço corleonesco nas bochechas do Brad Pitt. Só não sei de onde vem o pormenor sórdido do corte de escalpe, talvez de algum documentário sobre um talho famoso.

Depois de realizar um filme realmente genial como o "Pulp Fiction" (que na realidade é um mundo de filmes e histórias entretecendo-se com mestria dentro de um filme cronograficamente circular), QT  tem-se afundado em coisas como a saga/seca do "Kill Bill" de onde apenas se aproveita a prestação retro/kitsch das 5.6.7.8's, e agora este "inglorious" cujas mais valias parecem ser a pronuncia apalachiana cerrada (versão americana do grunho mais grunho da mais profunda parvónia) do Brad Pitt e o supostamente inesquecível actor alemão que interpreta o nazi caçador de judeus.
Cinema ou palavras cruzadas?
Para sair de casa ou fazer um serão prefiro o cinema. As palavras cruzadas dão-me sono.

sábado, janeiro 02, 2010 

Bebidas antigas


Encontrei-me num dia destes no meio de uma manada que pastava para cima e para baixo no Chiado sem outro destino preciso que não fosse o gozo do passar do tempo admirando as magníficas paisagens em desfile.
À porta do Chiado, um do grupo sugeriu que se bebessem umas cervejolas.
Onde?
No quiosque da Catarina Portas no Largo de Camões, por ser uma coisa gira e onde se servem "bebidas antigas".
Ideia do caraças, como ninguém se lembrou disto antes...
Assumindo que até o antigo é relativo e que bebidas antigas são bebidas da nossa adolescência ou infância e não qualquer mixórdia medieval, anui com gosto, e depois de calcorrear de novo a rua do Carmo cheguei ao tal quiosque e pedi uma cerveja.
A rapariga ao balcão tirou-me rapidamente as ilusões: Não servimos cerveja, disse peremptória.
Aprendi assim que a cerveja não é uma bebida antiga e fiquei a seco.
Os meus amigos que sugeriram a cervejola, acabaram com uma limonada das antigas.
Saindo dali agastado com os anacronismos, virei à Rua do Norte em busca da loja da Skunkfunk para as compras.

 

Intermediários

A mensagem de Ano Novo do Presidente da República foi clara.
Não percebo por isso a necessidade dos "interpretadores" que enxamearam primeiro as televisões e daí até agora, os jornais, a "explicarem-na", tomando-a como mero pretexto para fazer passar as suas posições pessoais que apenas os vinculam a eles e não ao Presidente.
Estes interpretadores profissionais assemelham-se cada vez mais a intermediários da industria da informação. Porém, ao contrário dos intermediários da industria alimentar que para além de ganharem as suas margens mais ou menos ilegítimas, cumprem uma função, os da industria da informação apenas cumprem a função de se servirem a si próprios.

 

Votos

É giro ler os votos de um ano de 2010 cheio de "sucessos", quando toda a gente espera um ano de crise.