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domingo, maio 11, 2008 

Pin pulismo

A propósito de uma interpelação da Comissão Europeia ao Governo por causa dos projectos do Litoral Alentejano, lá foi a SIC fazer uma local à freguesia de Melides.
O pendor poético do texto que acompanha a peça é adequado aos vários equívocos que cercam este caso.
"Os pinheiros dão lugar ao asfalto", seria uma imagem bucólica se os pinheiros não corressem o perigo de extinção na zona, não devido ao asfalto, mas sim por causa da praga do nemátodo, e "as acácias são substituídas por manilhas" é uma imagem bastante expressiva que ignora que a acácia é uma planta invasora cuja erradicação na zona é aconselhada por vários especialistas.
O protagonista da história acabou por ser um representante local da Quercus.
"Os projectos são bons" disse o abalizado urbanista "mas deveriam ser construídos noutro lado".
Vê-se que o homem sabe avaliar empreendimentos. E sabe pegar-lhes como se fossem aviões de papel e depositá-los noutra localização que a sua presciência ditará como mais ideal do que a actual.
Como as empresas promotoras dos projectos em questão adoptaram a posição de não se pronunciarem sobre decisões dos tribunais ou sobre acções interpostas contra o Estado português, este folhetim dos projectos da Costa Alentejana tem sido pretexto para os disparates mais infantis.
Num País onde a área sujeita a intervenção urbana terá crescido 30 a 40% na duas últimas décadas, é intrigante a sanha da Quercus contra empreendimentos que significam uma fracção ínfima desse volume... a atingir daqui a décadas.
Num País que tem um Algarve, uma Costa da Caparica/Fonte da Telha e tantos outros lugares com construções de grande densidade a poucos metros do mar ou das arribas, apresentam-se estes empreendimentos como "novos Algarves" quando não há novas construções previstas a menos de mil metros do mar, sendo nesses mil metros constituídos corredores dedicados exclusivamente a acções de conservação da natureza ou de renaturalização segundo planos, protocolos, calendários e orçamentos conhecidos e aprovados pela CCDR Alentejo e pelo ICN e por quem quiser consultá-los ou integrados no POOC (Plano de Ordenamento da Orla Costeira) onde se não prevêem outras construções que não sejam estruturas leves para apoios de praia.
Para ser mais exacto, é intrigante a sanha da Quercus sobre um dos empreendimentos, já que pelo menos um dos outros que têm sido referidos pela imprensa continua pacatamente em construção sem que os funcionários da Quercus promovam qualquer assédio ou "alerta".
Por outro lado, é intrigante como algumas pessoas com responsabilidades técnicas e políticas deixam marinar a ideia falsa de que estes projectos foram aprovados do pé para mão à custa de umas facilidadezinhas concedidas ao abrigo da famigerada figura dos PIN, quando qualquer pessoa que queira investigar o tema pode descobrir que para esses projectos, o processo PIN foi um passo administrativo ADICIONAL que ao fim de quase duas décadas de processo lhes deu mais trabalho e ainda por cima má fama.